Projeto desenvolvido em Cataguases pode ajudar a baratear os custos dos VLT’s de Viçosa

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Projeto desenvolvido em Cataguases
Biciclotrem é atração nas linhas férreas de Cataguases | Foto: Elias Fonseca

 

O projeto que prevê a reativação das linhas férreas da Universidade Federal de Viçosa já foi aprovado pela reitoria e agora aguarda a aprovação da verba em Brasília. Orçado em 1,4 milhões de reais, o “VLT da UFV” pretende ligar a Vila Gianetti ao “Novo RU”, percorrendo cerca de 2,5 km.

Paralelamente, outro projeto visa ligar as cidades de Viçosa e Coimbra, em um “circuito turístico da Zona da Mata”, que deve ser estendido à outras cidades posteriormente. Neste caso, o projeto ainda está sendo planejado, junto ao Governo Estadual. Segundo o Deputado Roberto Andrade, um dos apoiadores do projeto, as conversas com o Secretário de Turismo Ricardo Faria estão avançadas. Fechando a lista dos projetos utilizando as linhas férreas da cidade de Viçosa, o novo Plano de Mobilidade Urbana de Viçosa (PLAMMOB -VIÇOSA), proposto por arquitetos da Universidade Federal de Viçosa, visa, a longo prazo, ativar uma linha que liga do Silvestre as 4 pilastras, na tentativa de diminuir o trânsito na Avenida Castelo Branco. Porém, o plano diretor não executa, apenas sugere mudanças no planejamento urbano da cidade.

No ano de 2010, a UFV se mostrou interessada em construir um VLT. Porém, na época, a obra foi estimada em cerca de 8,5 mihlões de reais e acabou não indo para frente. Desta vez a meta é economizar e, caso os projetos dos VLT’s em Viçosa realmente sejam desenvolvidos, os gastos deverão ser enxutos. E isso só é possível devido a um projeto que está sendo desenvolvido na cidade de Cataguases.

Movidos pela ideia de reativar as linhas férreas da cidade de Cataguases, voluntários do Núcleo Ferroviário Vale Verde de Cataguases estão criando um novo conceito de veículos férreos para passageiros. Atualmente no Brasil existem vários vagões abandonados, que foram utilizados nas décadas passadas para transporte de carga. Esses vagões estão inativos, porém ainda podem ser reutilizados, se passarem por reformas, para a carga de passageiros. A ideia é inserir motores de caminhões nas locomotivas e utilizar um mecanismo capaz de, com a força deste motor, fazer com que a locomotiva se desloque para frente ou para trás, sempre seguindo a linha do trem. Assim, a locomotiva torna-se um Veículo Férreo Alternativo (VFA), e não um VLT, como ficou definido na cidade de Viçosa. Marcos Cravo, um dos voluntários que está a frente do projeto afirma que “O VFA é capaz de fazer entre 7 e 8 km utilizando 1 litro de diesel, o que torna ele econômico. Além disso, reformando vagões abandonados e concertando as linhas férreas o custo do veículo torna-se muito viável”.

O VFA é um veículo criado para andar pequenas distâncias, com uma velocidade de cerca de 30 km/h, assim diminuindo os riscos de acidente. A ideia é que ele seja utilizado em circuitos turísticos ou para carregar uma pequena malha de passageiros na cidade, atendendo a demanda de municípios como Cataguases, Viçosa, etc.

Segundo Cravo, com a verba de R$1,4 milhões é totalmente possível inserir o VFA na Universidade Federal de Viçosa com dois vagões, como prevê o projeto da UFV.

Os vagões utilizados passarão por reformas. Neles serão colocados bancos para os passageiros, além de reparos na estrutura dos veículos, que não estão em funcionamento há muito tempo. Os vagões utilizados só serão escolhidos após a aprovação da verba em Brasília.

Em Cataguases, a ideia é que o VFA seja utilizado, inicialmente, para incentivar o turismo local.

 

André Tenuta, presidente do instituto cidade e coordenador do programa de motorização de vagões abandonados, acredita que “Se tudo der certo, em breve teremos uma grande indústria ferroviária na região, que vai produzir automotrizes para ocupar as linhas abandonadas e gerar muitos empregos”.

Preservando as linhas férreas com o “Biciclotrem”:

Para que tudo isso aconteça é importante que as linhas sejam preservadas. É aí que entra um projeto que recentemente conquistou o título de Tecnologia Social do Banco do Brasil, o “Biciclotrem” de Cataguases.

Visando preservar as linhas férreas da cidade, para que as mesmas posteriormente possam ser utilizados por veículos maiores e automotores, e ao mesmo tempo promovendo lazer para a população, voluntários criaram um veículo movido pela força das pernas. O Biciclotrem consegue transportar no máximo 6 pessoas e consiste de uma plataforma com duas bicicletas ligadas aos trilhos. Enquanto duas pessoas pedalam, as outras podem aproveitar o prazeroso passeio.

A tecnologia está fazendo sucesso na cidade e é uma ótima opção para os amantes do Ecoturismo. Marcos conta que “O título de Tecnologia Social do Banco do Brasil dá credibilidade para o Biciclotrem e atrai investidores e voluntários”. Ele também afirma que “O Biciclotrem só deu certo porque é um veículo que integra as pessoas. Já que, ao invés da pessoa pedalar apenas para ele, carrega mais pessoas sentadas nos bancos”.

 

Os voluntários estão otimistas em relação ao futuro das linhas férreas na Zona da Mata. Durante uma entrevista, realizada para a primeira reportagem sobre o tema, Jershon Ayres de Morais, idealizador dos projetos em Viçosa e membro do Circuito Turístico Serra de Minas, se mostrou confiante sobre o futuro dos projetos. O mesmo acontece com Marcos Cravo, que sonha em ver as linhas férreas de Cataguases ativas.

 

Ainda não sabemos quais serão os próximos capítulos dessa história, mas a previsão é que as linhas férreas da região voltem a trazer benefícios para a população e o turismo na região.

Reportagem: Daniel Reis/Opção News